segunda-feira, 8 de junho de 2009

Tio Fê

Hoje precisei ir na farmácia. Por preguiça de por muitas roupas acabei indo de bermuda, blusa e chinelo, tá idaí? Daí que quando eu enfiei a mão no bolso da bermuda eu voltei com a mão cheia de areia. Antes que eu pudesse xingar tudo ao meu redor eu tentei me lembrar: quando foi que usei isso pela última vez? De bandeja veio a resposta: PRAIA.

Claro, se tem areia no bolso, só pode ser da praia. E foi la mesmo, fui, voltei, lavei e a areia continuou no bolso, coisa do demo! Acabei sentando na cama e me coloquei a pensar naqueles dias.

Foi no Carnaval, sabe aquela semana em que o país pára para cantar, pular, fornicar, fazer coisas que até o Demo duvida? Então, foi nessa semana ai, fui pra praia com meu irmão, minha cunhada, meu primo e um casal amigo nosso com dois pentelhos.

O que eu fiz lá não interessa, me limito a dizer que foi muito bom. Porém houve uma situação que me marcou muito, foi algo que pareceu rotineiro à um dos pentelhos, mas me marcou, me senti diferente. Vou contar o que houve.

Em um dos dias que estivemos lá, como é lei fomos à praia. Os dois moleques não davam sossego, fiquei com dó da mãe, amiga nossa, e resolvi ir jogar bola com eles. Depois de um tempo um saiu. Mas continuei lá. Os garotos eram pequenos, deviam ter seus 7, 8 anos. Mal sabem jogar bola, e foi nessas que um deles me falou: "Nossa TIO FÊ, você joga bem, me ensina?"...

Será que você, que está lendo, conseguiu sentir o peso da frase? Assim, eu nem 18 anos tinha, já era chamado de 'tio' e ia transmitir uma experiência. Foi uma sensação ímpar, me senti tão decisivo, tão mais velho. Uma velhice não aquela que beira a cova, mas uma velhice em que você é procurado pra passar algo à alguém. Que formidável! O garoto ouvia o que eu dizia com uma atenção, que eu nunca havia visto, repetia o que eu fazia, tentava imitar... fantástico!

Eu não sou um Pelé da bola, nem um Freud. Mas aquilo, aqueles momentos ali, eu juro que não esqueço. Eu fiquei velho, porque me senti seguro, me senti maturo, me senti prestativo. A ânsia de ser tio realmente foi aumentada.

Espero um dia, poder fazer isso e muito mais. Sentir essa sensação de novo e outras melhores. Mas essa primeira ocorrência, nessas situações, eu não esqueço.

Obrigado pentelho, você me fez crescer ;)

Um comentário:

  1. Sim eu já senti isso sim, um priminho meu me chamou de PAI, é mais ainda, mas foi uma sensação incrível, uma confiança dele para comigo que parecia inabalável, sim é incrível. Ensinei ele a como fazer amiguinhos xD

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